Conto Indígena — Produções Textuais — 7° ano
Os povos originários carregam há anos histórias e sabedorias ancestrais. Esse conhecimento é fundamental para compreendermos a nossa própria identidade e reconhecermos a profundidade de seus saberes, que equilibram perfeitamente a relação entre o ser humano e a natureza. Valorizar essa sabedoria é um dever nosso. Sabendo disso, elaborei uma proposta de produção textual sobre contos indígenas para o 7° ano. Na produção, os alunos deveriam apresentar elementos da cultura indígena, da natureza, dos animais, dos espíritos da floresta, dos rios, das lendas e dos ensinamentos dos povos originários. Confira abaixo cinco belíssimos contos que enaltecem e perpetuam a sabedoria ancestral.
1. O menino que conversava com a lua — Thomaz Henrique
Niko era um garoto indígena muito curioso. Certa noite, resolveu desobedecer às ordens do cacique Klaus e foi até o rio durante a noite. Ao chegar lá, tudo estava calmo e tranquilo; as águas estavam claras, a noite fresca e iluminada pela lua.
Até que, de repente, ouviu uma risadinha. Ficou assustado, mas decidiu investigar a origem daquele barulho. Andou por alguns minutos pela margem do rio, mas não ouviu mais nada. Segundos depois, um vento frio o fez tremer todo. Como saiu escondido, não colocou nenhum agasalho. Assustado, tropeçou em uma pedra e caiu no chão. Entristecido e com medo, disse:
— Desculpe, eu fiquei curioso para saber o que tinha de tão perigoso aqui. Eu estou indo embora…
Em seguida, a voz que outrora ria, afirmou:
— Você teve sorte, Niko. Eu o protegi de um mal terrível. Quando você sentiu aquele vento frio, era a presença maligna do vento do norte, uma fúria assoladora que leva as pessoas quando sopra.
— Onde você está? Quem é você? — perguntou o menino. — Não vejo ninguém.
— Olhe para cima! Eu estou aqui. Sou a Lua.
— Uau! Você fala mesmo!
— Sim, eu falo e protejo o rio, a floresta e vocês.
— Perdoe-me, Lua…
— Menino, eu peço gentilmente: não desobedeça às minhas ordens.
— Sinto muito, Lua.
— Faça um favor para mim. Ao raiar o sol, conte ao Klaus o que você fez e peça-lhe para reunir o povoado e reforçar as minhas orientações. Agora, garoto, vá! Volte para a aldeia. O mal está voltando…
De repente, o vento gelado soprou novamente e a tranquilidade da noite mudou. O menino, apressadamente, atendeu ao pedido da Lua e correu em direção à floresta que levava à povoação. No caminho, não conseguia sentir o chão que pisava; a sensação era de que o vento corria atrás dele com vontade de levá-lo. O desejo de Niko naquele momento era chegar rapidamente lá.
— Niko! Niko! — Várias vozes gritavam ao longe, desesperadas.
Ao ouvir esses gritos, o garoto arrependido começou a chorar, porque sabia que seus pais estavam procurando por ele. Em resposta, gritou:
— Estou aqui! Estou aqui! — exclamou, avistando os seus pais.
— Filho! — Akin, pai do garoto, correu ao encontro dele. — Onde você estava? Não ouviu os pedidos do pajé?
— Desculpe, pai. Desculpe — disse, abraçando-o. — Eu nunca mais farei isso.
— Eu espero, filho.
No outro dia, a primeira missão dele foi conversar com o cacique Klaus e desculpar-se pelo erro, além de reforçar as orientações da bondosa Lua. O homem, sábio e atencioso, perdoou o garoto e, em seguida, reuniu os habitantes e realizou o pedido da protetora do rio.
Depois daquele dia, todos, inclusive o garoto curioso, compreenderam que as ordens devem ser respeitadas e que a natureza sempre protege quem a obedece.
2. O segredo da floresta — Pedro Henrique
Miguel adorava andar pela floresta, onde o rio corria claro e os pássaros cantavam. Um belo dia, encontrou uma raposa presa em alguns galhos. Rapidamente, ele a soltou com cuidado.
Aliviada do susto, o animal falou que era a guardiã do lugar e que a floresta só era bonita se fosse respeitada. Minutos depois de uma sábia conversa, mostrou a ele uma árvore especial: o coração de toda a floresta e que dá vida à natureza. Admirado, ele prometeu cuidar da árvore.
Depois daquele encontro, o menino aprendeu que devemos proteger a natureza, pois tudo está conectado e precisa de cuidado e carinho.
3. O fim da chuva — Alejandro Alves
Em uma vila distante, ocorriam muitas dificuldades em relação à seca. Um menino chamado Tupi reclamava muito sobre a falta de água. Todo dia esse garoto olhava para o céu e tecia reclamações e palavras duras aos deuses.
Certo dia, uma chuva inesperada atingiu os moradores, choveu sem parar. A aldeia, como forma de gratidão, agradeceu ao Deus Romã (Deus indigena). No entanto, Tupi, furioso, começou a se perguntar: o que fiz de errado? Sentiu-se triste pela chuva ter caído.
Porém, quando percebeu, era tarde demais, pois o Deus havia decidido que a correnteza o levaria, porque ele fora insolente e mal-agradecido.
E assim aconteceu: uma forte correnteza o levou para muito longe daquele lugar.
Tupi foi levado para o céu, onde os deuses sagrados habitavam e julgavam as pessoas más. Todas as autoridades espirituais estavam presentes, inclusive, Romã. O veredito foi prendê-lo em um calabouço por tempo indeterminado.
Na aldeia, a comoção foi grande, mas todos já previam o futuro do teimoso garoto. Dessa história, todo mundo entendeu que: a ingratidão pode levar à ruína.
4. O Espírito da chuva que desapareceu — Lucas Matias
Um Espírito chamado de Yoratã ajudava as pessoas de uma aldeia. Porém, ele ficou desanimado porque os aldeões só reclamavam das chuvas e das bênçãos do protetor da floresta.
Certa tarde, uma chuva intensa devastou o lugar, tornou-se uma forte inundação. Casas foram destruídas, plantações ficaram devastadas e animais morreram. Assustados, os moradores daquele lugar começaram a clamar por Yoratã, mas lembraram que não tinham mais a proteção do gentil Espírito.
Quando a chuva parou e o nível da água baixou, eles ficaram arrependidos por agirem mal com Yoratã. Decidiram, então, pedir desculpas.
Ao chegar ao centro da floresta, morada de Yoratã, ajoelharam-se e rogaram ao Espírito perdão e misericórdia. Bondoso e empático, o protetor os perdoou e disse que voltaria a cuidar do povoado.
Assim, no final, eles perceberam que Yoratã ajuda em momentos difíceis e protege quem é grato.
5. A tartaruga sábia que ajudava a aldeia — Valentina Santos
Vovó Jabuti era a mais velha da Tekoha. Ela não corria, mas sabia onde nascia o guaraná mais doce. Todo dia, com passos lentos, levava os curumins até lá.
O cacique sorria e dizia:
— Ela não tem pressa, tem sabedoria.
Quando a seca chegou, só a jabuti lembrava do velho igarapé escondido. Ela guiou o povo e a água bastou para todos.
Por isso, na aldeia, ninguém caça jabutis. Todos sabem que ajudar não é só correr, é conhecer o caminho.
Conte-me: o que você achou dessas produções? Estão impecáveis, né? Essa turma arrasa na imaginação e na criatividade. Eles souberam captar a essência da proposta com muita sensibilidade. Além de não fugirem do tema e dos elementos da cultura indígena.








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